terça-feira, 8 de junho de 2010

REVISTA DE CIRCULAÇÃO NACIONAL RECONHECE E VALORIZA ARTISTAS BACABALENSES

As dificuldades e o cotidiano de pessoas com deficiência são representados no palco


Por Renato Fernandes




O teatro surgiu entre 550 e 220 a.C., especialmente em Atenas, depois se espalhou por toda a área de influência grega. Com o crescimento do Império Romano, a arte cênica foi levada para terras mais distantes. Desde então, o mundo da interpretação tem atingido um bom número de adeptos, inclusive as pessoas com deficiência. Essa forma de arte tem contribuído para a reabilitação e socialização de qualquer indivíduo com deficiência. Com iniciativas que se espalham por todo o Brasil, o teatro vem conseguindo obter o seu maior objetivo que é atingir todos os públicos sem qualquer tipo de discriminação. Desde 2003, a ONG Tam Tam usa o teatro como o carro-chefe de suas iniciativas para ajudar na reabilitação de pessoas com deficiência. Em parceria com a prefeitura de Santos (SP), no espaço chamado "Espaço Sociocultural Café Teatro Rolidei", são realizados projetos envolvendo aulas de teatro, ensaios e apresentações.
O grupo já tem vários espetáculos que foram para os palcos, "As Flores de City Town" fala sobre o ciclo da vida, "Traços & Troças - Elogio à folia" conta a história do carnaval através do som das conhecidas marchinhas tradicionais e "A Terra Pode Ser Chamada de Chão" retrata assuntos sobre a relação entre o meio ambiente e o homem contemporâneo.
O elenco é composto por atores com e sem deficiência. De acordo com os organizadores, isso prestigia a integração que ocorre com todos os envolvidos nas peças, pois as pessoas com deficiência não querem uma categoria especial, elas querem ser tratadas como qualquer outro ser humano.

A ONG chegou até a ganhar um prêmio da Fundação Nacional de Artes (Funarte) por causa de seus trabalhos. Além disso, o grupo teve reconhecimento no exterior ao participar do Festival Internacional de Teatro Especial, realizado em Lisboa, capital de Portugal.
"O interessante desse festival foi ver a questão da inclusão em outro país. Em Portugal, a sociedade não está preparada, a maioria pensa que o único local adequado para as pessoas com deficiência é um hospital, mas isso não é verdade", fala o diretor Renato Di Renzo, responsável por assinar todos os espetáculos da Associação Projeto Tam Tam.
Viver é Adaptar-se
Bacabal (município a 250 km de distância de São Luís, capital do Maranhão) vem se destacando com o teatro na área da inclusão através da Companhia Curupira de Artes Cênicas. A trupe tem 11 anos de existência e conta com o trabalho de Zezinho Casanova e de sua esposa Lúcia Correia, que é cadeirante. Sua oficina segue a mesma linha da Tam Tam, há os atores com e sem deficiência e as limitações são respeitadas e superadas no elenco.


Um dos últimos espetáculos produzidos pela Cia. é "Viver é Adaptar-se". A trama mostra, de forma engraçada, situações comuns que ocorrem no cotidiano das pessoas com deficiência, como automóveis estacionados em cima das rampas ou em outros locais reservados. "A ideia surgiu da necessidade de chamar a atenção da sociedade para um fato: de que existem pessoas com deficiência e que elas precisam de respeito. Faço trabalhos sociais e tenho ministrado palestras para algumas universidades sobre a inclusão. Todas essas ações ajudam, mas um espetáculo é muito mais eficiente", diz Zezinho.
Mesmo fazendo um bom trabalho, a Cia tem sofrido com a falta de incentivo governamental. "Procuramos os gestores locais, mas eles fecharam todas as portas. Bacabal pode ser considerada a cidade cemitério das artes no Maranhão. Não há nenhuma política pública para atender artistas e produtores culturais, imaginem as pessoas com deficiência!", enfatiza Zezinho.
Apesar dos obstáculos, a Companhia Curupira de Artes Cênicas continua com seus planos. O grupo também faz teatro com bonecos e trata de questões ligadas às pessoas com deficiência no trânsito, por exemplo. Outro projeto em andamento é um espetáculo que fala sobre temas po- lêmicos como doações de órgãos e o tratamento com células-tronco. A peça trará informações para a sociedade e contará com personagens e atores com deficiência.
I
Inclusão em Hollywood e na Broadway
Você já ouviu falar do filme "O Milagre de Anne Sullivan"? O longa foi lançado em 1962 e mostrava a vida de uma professora - chamada Anne Sullivan - que tenta fazer uma garota cega e surda (Helen Keller) se comunicar com os outros. A protagonista entra até em confronto com os pais da menina, que sempre sentiram pena da filha e nunca fizeram nada a respeito.
Além de ganhar as telas do cinema, a trama também foi parar nos palcos da Broadway, circuito com os espetáculos mais bem produzidos de Nova York. Recentemente, a peça esteve em cartaz com seu nome original "The Miracle Worker", nos Estados Unidos. A montagem recebeu Jennifer Morrison no elenco, a atriz é conhecida por interpretar a médica Allison Cameron no seriado "House".
Essa não foi a primeira vez que a peça foi parar no teatro, ela já passou pela Broadway em 1959 e faturou cinco prêmios Tony Awards, o Oscar do teatro americano. "The Miracle Worker" fechou sua temporada no mês de abril desse ano.
Mundo dos Menestréis
Em São Paulo, a Oficina dos Menestréis também se destaca com seu teatro especial. Em relação às pessoas com deficiência, o grupo segue com duas linhas de frente: O Projeto Mix Menestréis e o Projeto Up. O primeiro estreou em 2003 e coloca na mesma equipe atores cegos e cadeirantes. Com esse time, já foram encenados espetáculos como "Noturno Cadeirantes", "Good Morning São Paulo Mixturéba", "Vale Encantado Mix", "Zoom", "Mansão de Miss Jane Mix", "Banquete da Vida". Esta última montagem também faturou um prêmio da Funarte.
Já o Projeto Up trabalha com pessoas com síndrome de Down e foi criado no ano passado. Ambos os projetos contam com a ajuda de patrocinadores da Oficina dos Menestréis. "Minha intenção era mostrar que qualquer pessoa tem uma arte, como qualquer um tem um condicionamento físico. A arte mexe com a alma, é um grande veículo que ajuda a popularizar essa questão da inclusão", diz o diretor da oficina, Deto Montenegro.
Com essas novas iniciativas, Montenegro percebeu os benefícios vindo para todos os lados. As pessoas com deficiência ganharam mais autoestima e agilidade. O diretor evoluiu muito em relação ao seu ensaio, capacidade de adaptação e renovou seu método de ensino.
"Participar de um grupo teatral me trouxe vários benefícios, pois a técnica usada pelo Deto Montenegro serve para qualquer pessoa. Além de aprender exercícios de palco, isso aumentou minha autoestima e acabou tornando um dos meus hobbies", conta William Coelho, mais conhecido como Billy, paraplégico e um dos idealizadores do Movimento Superação.

Colhendo os frutos

Durante as entrevistas, todos foram unânimes ao afirmar que o teatro só traz pontos positivos para as pessoas com deficiência. O diretor Renato Di Renzo disse que a arte é uma "ponte" que faz ligações com diversos universos. Os projetos já estão trazendo bons resultados que refletem na plateia que acompanha os espetáculos. "Cada dia que passa temos a convicção que nossa peça faz um bem incalculável para as pessoas que têm a oportunidade de assistir. Elas saem do teatro como multiplicadores da ideia. Isso nos dá a certeza e o desejo de não parar de divulgar essa boa mensagem", ressalta uma das responsáveis pela Companhia Curupira de Artes Cênicas, Lúcia Correia.
Ao mesmo tempo, Montenegro percebeu que os espectadores que conferem as montagens se surpreendem, pois eles veem que os atores com deficiência não têm uma capacidade limitada na hora de subir no palco.

Serviços

ONG Tam Tam
Avenida Senador Pinheiro Machado, 48- Vila Mathias- Santos - SP www.tamtam.art.br / contato@tamtam.art.br / (13) 9124-6493

Companhia Curupira de Artes Cênicas
Rua Madre Cândida, 105 Madre Rosa - Bacabal - MA
http://ciacurupira.blogspot.com / (99) 8155-8511

Oficina dos Menestréis
Rua Domingos de Moraes, 348 - Vila Mariana - SP
www.oficinadosmenestreis.com.br
informacoes@oficinadosmenestreis.com.br / (11) 5575-7472
fonte: revista Sentidos ed. 58

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Gustavo Vidigal – Investimento público em cultura

A pesquisa Presença do Estado no Brasil: federação, suas unidades e municipalidades , lançada em 2009, comprovou aquilo que se intuía: faltam aparelhos culturais públicos em diversos municípios brasileiros. Entre outros aspectos, os indicadores revelam que cerca de 2.953 municípios não contam com espaços públicos de promoção da cultura, como centros culturais e museus. E, por mais que o governo invista em bens e práticas culturais, a distribuição destes ainda é desequilibrada, não contemplando boa parte dos brasileiros, o que também revela o desafio de gerar políticas públicas em um país de proporções continentais....(LEIA MATÉRIA COMPLETA NA PAGINA NOTÍCIAS)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

ESPE´TACULO "VIVER É ADAPTAR-SE" VOLTA A BACABAL

A Trupe da Companhia Curupira de Artes Cênicas voltou a Bacabal com o espetáculo "Viver é Adaptar-se" em única apresentação no auditório Frei Solano no CEFRAM dia 24 de abril,exatamente um mes apos sua apresentação no Teatro Alcione Nazaré em Sãao Luis.
O elenco volta á uma nova fase de ensaios visando a qualidade tecnica do projeto, atores e tecnicos continuam pesquisando,o estudo do oficio de representa tem sido uma prática comum na compamnhia que já começa a colher seu frutos da pesquisa.
O  fato da revista Sentidos ter publicado matéria sobre o espetaculo vem abrindo as portas para o projeto,varios municipios do maranhão estão interessados em levar o espetaculo para suas comunidades, a companhia ciente  dessa grande responsabilidade prepara-se  melhor para promover a inclusão de pessoas com deficencia atraves da arte.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Saiba montar seu currículo teatral

Escrito por Christian Gurtner 

O currículo do ator é, basicamente, como qualquer outro currículo: Possui os dados pessoais, os cursos e os trabalhos já realizados.
Porém, existem alguns detalhes que diferenciam o currículo de ator de um currículo normal. Portanto, dou aqui algumas dicas:

1- A foto e a descrição do perfil: É importante que seu currículo possua fotos de rosto e de corpo inteiro (aconselhamos roupas justas para mostrar melhor o seu porte e traços físicos - Mas isso depende muito do trabalho desejado) Como o o instrumento de trabalho do ator é o corpo, é importante mostrá-lo no currículo. (Mas calma lá: Não vá colocar uma foto pornográfica ou erótica).
Uma pequena observação quanto às fotos: Mesmo que você seja muito gordo(a) ou muito magro(a), tenha cicatrizes enormes, seja careca, seja muito baixinho(a) ou muito alto(a), etc, não tente esconder nada disso, pois no mundo do teatro todo biotipo é procurado, e se você esconder, omitir ou mentir sobre algum aspecto de seu físico ou trabalho, você só estará perdendo seu tempo e o tempo dos outros.Já o seu perfil, faça o mesmo: Indique seu peso, sua altura, cor dos olhos, cor e tipo dos cabelos, cor da pele, etc.

2-Cursos e trabalhos: Indique todos os cursos de teatro/tv/cinema, oficinas/workshops, palestras, etc, que você fez .

Indique também os trabalhos já feitos. Sugerimos que deixe claro que tipo de trabalho foi, como e quem foi. Por exemplo: Peça “Romeu e Julieta”, de William Shakespeare, ano 2003, direção de Fulano. Personagem interpretado: Romeu. Temporada de dois meses no Rio de Janeiro no teatro Tal.

3-Mídia: Dizem os mais experientes que o verdadeiro currículo do ator é o jornal. Guarde e use todos os artigos de jornal, flyers, notas, colunas, fotos, guias culturais, etc. Qualquer coisa sobre algum espetáculo que tenha sido divulgada na mídia impressa e que contenha seu nome, é de grande valia para incrementar o seu currículo. Você pode xerocar os mais importantes (ou todos, se quiser) e anexar ao seu currículo. Mantenha também uma pasta organizada com todos esses recortes.

4-Videobook: É caro e não são todos que têm, por isso não vamos dizer que é extremamente necessário. Mas que ajuda, ajuda. E muito. Na verdade nem precisa ser um vídeobook profissional, basta ter algum de seus trabalhos filmados. Assim, um diretor ou uma Cia, poderão ver com mais detalhes como é o seu trabalho, como você fica em cena, etc…

Currículo On-line: Isso, claro, não é essencial. Mas é um serviço que oferecemos para dar mais praticidade e deixar seu currículo mais sofisticado. O Portal Oficina de Teatro cria currículos online, que são currículos em forma de site. Obtenha mais informações clicando AQUI

OS DEZ MANDAMENTO DO ATOR

1-Senso de profissionalismo
2-Senso de responsabilidade
3-Senso de hierarquia
4-Pontualidade
5-Humildade
6-Respeito: Aos colegas; aos de cargo inferior; aos superiores
7-Auto Crítica
8-Garra;Empenho; Determinação
9-Entendimento; Discernimento
10-Cumprimento dos compromissos assumidos

EU QUERO O PAPEL PRINCIPAL

Muitos que nem bem começaram a conhecer como se dá o “fazer teatral”, e nem sabem direito o que é interpretar uma personagem, iludidos com a pretensão de figurar como astros das telenovelas, já chegam certos que farão o papel principal da peça.

É sempre isso, que invariavelmente acontece, quando algumas pessoas que querem fazer teatro vão em busca de cursos ou grupos teatrais
. Chegam se achando os melhores, que fazem e acontecem, mas quando ficam sabendo que não vão fazer o papel principal, a “brincadeira” acaba.


Acho que a confusão está justamente aí: “brincadeira”. Muitos vão parar no teatro por pura curtição. Pra fazer pose de culto e intelectual, pra se juntar a uma turma legal, pra fazer amigos, pra se libertar, são poucos que realmente encaram o sacrifício que é, o “fazer teatro”. Tem gente que não agüenta nem os ritmos de ensaios. Como pode achar que é ator?


O que precisa ficar claro também, é que teatro além dos muros do colégio, é muito diferente. O Teatro feito nas escolas tem um caráter muito mais pedagógico do que artístico, e ás vezes até pode ter um tom de brincadeira. Já quando se decide integrar um grupo de teatro, deve-se entender logo de início, que o papel principal é o que menos importa.


O que interessa é que quando se decide entrar para a “turma do teatro”, deve-se ter a consciência de que realmente se quer ser um ator e, se dedicar a isso, até mesmo se tiver que ficar nas coxias como contra-regra, ou ajudando nas trocas de figurinos. É preciso, antes de reivindicar o papel principal, ter a plena consciência que teatro é uma arte de grupo
O teatro sempre vai estar de braços abertos, esperando todos aqueles que vão procurá-lo, dispostos a integrar e abraçar essa arte como uma profissão, que por vezes, é quase um sacerdócio, por isso, se realmente é isso que você quer, esqueça essa história de fazer o papel principal logo de cara, quando se vive o teatro de verdade, qualquer papel que se faça, é e será o papel principal.

sábado, 10 de abril de 2010

O ator e a voz

Quando se pensa em teatro, logo se pensa em ator. Quando se pensa em ator, logo se pensa em uma boa interpretação. Mas, uma boa interpretação depende de um conjunto de fatores que precisam funcionar em perfeita harmonia. E dentre esses fatores, um é por muitas vezes deixado em segundo plano: a voz.
A voz é tão ou mais importante que um gesto feito no momento certo, que um olhar preciso, que um silêncio cênico certeiro. Um ator que não consegue unificar sua voz a sua interpretação, tem sérios problemas, que interferem e acabam por desqualificar sua interpretação. A voz é o principal instrumento de um ator e muitos nem percebem isso.
Muitos ficam mais preocupados com o modo em que a sua personagem se senta, como ela se veste, com ela anda e até como ela fala. Acontece que ele, enquanto ator, por muitas vezes, se esquece de educar a sua voz. Articular corretamente as palavras e impostar a sua voz projetando-a por todo teatro, fará que o espectador, sentado na última fileira, entenda as ações e as reações da sua personagem.
De nada vai adiantar frequentar ás aulas de um curso de teatro, se aplicar nas aulas de interpretação, estudar as teorias, ler os textos e saber decorá-los, se na hora de colocar a voz, você não for capaz de pronunciar uma só palavra. A voz precisa e deve ser treinada diariamente. Existem muitos exercícios para isso. Todos podem parecer cansativos, mas são altamente necessários.
Precisa-se aprender a respirar com precisão, educar o diafragma para que se possa colocar a voz de uma maneira correta e audível, exercitar até a exaustão a articulação das palavras. E tudo isso não precisa ser feito nos ensaios, ou nas aulas de teatro, pode ser feito em casa, enquanto está estudando o texto, ou até quando se está curtindo o ócio.
Quem quer fazer da profissão de ator o seu ganha pão, precisa estar disposto a enfrentar muitas dificuldades e isso não se resume apenas aos ensaios exaustivos e as dificuldades de se produzir um espetáculo. Um ator tem que está preocupado com todos os detalhes e se preocupar com a sua voz, é uma das coisas mais importantes com que ele tem que se preocupar.
Portanto, exercite a sua voz, tão ou mais que a sua interpretação, pois se não for capaz de transmitir através da sua voz o que o seu personagem quer dizer, de nada vai valer todo o esforço que você levou para compor a sua personagem.