quinta-feira, 5 de maio de 2011

Oficina no CACEM‏

Durante cinco dias acontece no CACEM a oficina "Leitura e Dramatização dos Espaços" que tem por finalidade, trabalhar a leitura dramática engajada interagindo com espaços alternativos, enfocando o trabalho corporal, texto, o improviso,  trabalho de voz e coletivização dos personagens na leitura, buscando estado de presença e lógica na leitura. A oficina tem como ministrante o ator e diretor carioca Cassiano Gomes

Cassiano Gomes é formado pela CAL (Casa das Artes de Laranjeiras) desde 1999; fez parte da Cia.Amok teatro, pela qual trabalhou em quatro espetáculos: O dibuk, MacBeth, Savina e O dragão, no Rio de janeiro. Atuou em espetáculos com os diretores (a) Luiz Furlanetto, Ticiana Studart, Rosyane Trotta, Allan Castelo, Vitor Hugo. Residente artístico no nordeste pesquisou o teatro popular, buscou novos autores e novas linguagens a partir das manifestações culturais como faz atualmente no Maranhão, mapeando a manifestação que enriquecem o seu trabalho em oficinas que ministra servindo de apoio para suas criações. Ministrou em Pernambuco (Sertão e Agreste), as oficinas: O Ator Através do clown, Palhaço-criação da personagem e a oficina “O Ator Contador e O processo de Criação. Integrou o grupo de cultura popular pé de chinelo (RJ) e Como encenador dirigiu o espetáculo: “Bois Contados no Encontro de Folias” em São Mateus-Espírito Santo 2008 e no Sertão Pernambucano encenou o espetáculo "A Chegada de Lampião no Inferno", com o grupo de Xaxado Cabras de Lampião, resultado do projeto Artes do Cangaço em Cena contemplado pela FUNARTE em 2009/2010. Neste trabalho, Cassiano Gomes utilizou como ferramenta de criação, a historicidade do cangaço, o Xaxado e as manifestações entorno do tema tais como: cordel, música regional, dança, religiosidade. Seguindo essa mesma idéia, Cassiano Gomes pretende desvendar a cultura Maranhense e dar início ao projeto de estudo para encenação de um novo espetáculo surgido da cultura popular. 
A oficina intensiva de leitura com Cassiano Gomes, acontece do dia 23 ao dia 27 de maio - das 15:h às 18:h - de segunda à sexta no CACEM
Maiores informações e inscrições no CACEM
Telefone: 3212-8535/ 9911-0650/3218-9948

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Morre José Renato Pécora



José Renato Pécora
José Renato Pécora morreu no início da madrugada desta segunda-feira, 2 de maio, em São Paulo. Terminada a sessão de ontem de “12 homens e uma sentença”, ele foi jantar como de hábito no Planetas e de lá uma amiga o levou ao Terminal do Tietê onde ele pegaria o ônibus da meia-noite para o Rio. Ela o deixou na área de acesso ao terminal e, horas depois, recebeu ligação da enfermeira do Pronto Socorro de Santana, na Voluntários da Pátria, que localizou seu telefone no celular do próprio Zé Renato, comunicando a sua morte.
José Renato, que voltou a atuar como ator depois de 56 anos, estava em um momento feliz. O sucesso de “12 homens e uma sentença” é, especialmente, o sucesso dele que, por ter feito a sua trajetória no teatro como diretor, desde que criou o Arena, não tinha provado o reconhecimento das plateias, em especial dos muito jovens que assistem ao espetáculo. Reconhecimento que agora ele experimentou com uma alegria juvenil que nós, que dividíamos o camarim com ele, testemunhamos nesses sete meses de temporada. O Zé ria, fazia e provocava piadas, formava o nosso coral que todas as noites desengavetava um repertório de músicas do passado, em exercício de puxar pela memória. Era assim o “aquecimento” e a “concentração” de rotina antes do espetáculo. Uma noite, de tanto rir das brincadeira do Riba, do Norival Rizzo e da Ieda, nossa fiel camareira, ele desabafou com um sorriso largo: “Vocês ainda vão me provocar um enfarte de tanto rir”. Na sessão deste domingo, ele trocou uma palavra do seu texto, que só o elenco percebeu. Em vez de dizer “o velho queria um pouco de atenção” ele disse: “o velho queria um pouco mais de tempo”. Me fugiu a palavra, ele se desculpou sorrindo no camarim ao final do espetáculo. Pois é, tanto ele como todos nós queríamos um pouco mais de tempo para o nosso encontro. Não fomos atendidos. Fica em nós a saudade, que dói demais. Mas fica também a certeza de que José Renato marcou definitivamente o teatro brasileiro – e, em particular, marcou a vida e o caminho de cada um de nós.
Obrigado, Zé.
Do amigo e discípulo Oswaldo Mendes
 BIOGRAFIA
Renato José Pécora (1926-2011), mais conhecido como José Renato, é um diretor de teatro atuante na cidade do Rio de Janeiro e em São Paulo.
Foi o fundador e idealizador do Teatro de Arena de São Paulo, responsável pela montagem de “Els não Usan Black-Tie”, considerado marco do teatro dos anos cinquenta, em uma das correntes do nacionalismo no teatro brasileiro.
Aluno da primeira turma daa Escola de Arte Dramática (EAD), em São Paulo, ao terminar o curso, em 1950, propõe o formato de arena para um espetáculo. O professor e crítico Décio de Almeida Prado apresenta ao diretor o texto de Margot Jones, Theater in The Round. José Renato e Décio então escrevem, em colaboração com Geraldo Mateus Torloni, uma justificativa teórica para o projeto, apresentada como tese no 1º Congresso Brasileiro de Teatro, no Rio de Janeiro, em 1951. Surge daí, em 1955, a partir de uma garagem, a pequena casa de teatro da Rua Teodoro Bayma, o TEATRO DE ARENA DE SÃO PAULO, em frene à Igreja da Consolação, hoje Teatro Experimental Eugênio Kusnet.
Depois de décadas ausentes do palco como ator, José Renato integrou em 2010 o elenco da peça Doze Homens e Uma Sentença.
Comunicado oficial do Forum Brasileiro de Teatro